terça-feira , 23 janeiro 2018
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A Festa de Pentecostes

 

Pentecostes (1)

No A.T., além da Páscoa, eram citadas mais duas importantes festas: a Festa da Colheita ou Festa das Semanas, e a Festa dos Tabernáculos. O cristianismo assumiu nas suas celebrações as duas primeiras, sendo que a dos Tabernáculos caiu no esquecimento.

Originalmente, a Festa era chamada das Colheitas, depois, das Semanas, assim chamada pela sua duração de sete semanas. Iniciava-se a cinquenta dias após a Páscoa, no início da colheita da cevada, quando a foice era lançada para a ceifa, e durava até o início da colheita do trigo. Esta Festa das Semanas, ou das Colheitas, ou Dia das Primícias era uma festa rural, agrícola, inicialmente celebrada pelos agricultores no local mesmo da plantação. Depois da reforma do Rei Josias, todas as festas judaicas foram levadas para a celebração de uma “Santa Assembleia”, no Templo de Jerusalém. Era uma festa de grande alegria, que cantava os louvores de Deus, doador da Terra e de todos os seus frutos, pela prodigalidade de Suas Graças.

Desde o final do século IV AC, quando a língua Grega se impôs a todo o judaísmo, a Festa passou a ser chamada de Pentecostes, como é chamada no Novo Testamento. O significado do nome remonta à data de seu início: cinquenta dias após a Festa da Páscoa.

Para o Cristianismo, Pentecostes é a Festa da vinda do Espírito Santo prometido por Jesus antes de sua Ascensão ao céu, sobre Sua Mãe Maria Santíssima e os Apóstolos, reunidos no Cenáculo em oração, em obediência ao mandato de Jesus antes de voltar ao Pai (Lc 24, 49. At 1, 4.11-14; 2, 1-13). Na Liturgia Cristã é a Festa que conclui o Ciclo da Páscoa e abre para a atividade apostólica da Igreja celebrada liturgicamente no Tempo Comum. Esta Festa marca, por assim dizer, “o nascimento” da Igreja como atualizadora e continuadora da Ação Missionária de Jesus, o Cristo Ressuscitado.  

Também para nós, cristãos, é uma festa de grande alegria, de louvor e ação de Graças a Deus, não mais pelas sementeiras das searas, mas por produzir os frutos de Sua Graça na “messe” dos corações dos fiéis e das comunidades cristãs. Celebramos a Ação de Graças a Deus não pelos dons e riquezas materiais e pelos frutos da terra, mas pelo Dom por excelência, Ele mesmo que Se nos doa, pelo “Espírito Santo foi derramado em nossos corações”! (Cf Rm 8). E é esse Espírito Santo, o doador de todos os Dons e o “produtor” dos Frutos pelos quais podemos ser reconhecidos como discípulos de Cristo, como ele próprio diz: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 16) e “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes como eu vos amei”. (Jo 13, 35).

Meditando nos Atos dos Apóstolos a narrativa do derramamento do Espírito em Pentecostes, podemos ver à evidência que o grande Sinal da Presença e Atuação do Espírito é o Amor, a Unidade que funde os corações “num só coração e numa só alma” (cf At 4, 32ss), que desfaz as enganosas construções de “Babel” que dividem os seres humanos e os povos gerando divisão e confusão; e propicia uma nova linguagem, a do Amor, da Solidariedade, da Paz, da Comunhão, que edifica a Igreja e o Reino de Deus de maneira a que haja “um só rebanho e um só Pastor!” (Jo 10, 16).

Louvemos e demos Graças a Deus pelo Grande dom, o Amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, e louvemo-Lo, não somente pelo nosso culto e orações, mas pela vida que evidencie os Frutos desse mesmo Espírito em nós, como nos convida o grande Santo Agostinho: “Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-Lo quando te afastas da justiça e do que Lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará!”             

Celebremos alegre, digna e santamente o louvor de Deus na Celebração Litúrgica de Pentecostes e na fidelidade e docilidade ao Espírito no dia a dia de nossa vida cristã!

 

(Côn. Antonio Galvão, O. Praem. )

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